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A OMSA alerta para o escasso investimento mundial em sanidade animal

A OMSA alerta que os cortes na ajuda internacional aumentam o risco de doenças transfronteiriças, insegurança alimentar e novas pandemias.

17 Julho 2026
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O mundo não está a investir o suficiente na saúde animal, apesar das crescentes evidências de que o custo da inação supera largamente o custo da prevenção, de acordo com o relatório anual State of Animal Health in the World, publicado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA/WOAH).

O relatório destaca que as doenças animais destroem mais de 20% da produção animal muindial todos os anos. Os seus efeitos fazem-se sentir com mais intensidade nos países de baixo e médio rendimento, onde a saúde animal desempenha um papel vital na sustentabilidade dos meios de subsistência, na segurança alimentar e na resiliência económica. Ao mesmo tempo, os sistemas com poucos recursos lutam para detectar e responder precocemente às doenças e enfrentam desafios para manter os padrões de bem-estar animal.

Os recentes cortes nos orçamentos de ajuda internacional agravam ainda mais esta situação. O financiamento para a cooperação para o desenvolvimento na área da saúde foi reduzido para aproximadamente 39,1 mil milhões de dólares em 2025, dos quais menos de 2,5% foram alocados à saúde animal. Neste contexto, os sistemas de saúde animal — a infraestrutura partilhada que protege contra doenças emergentes de origem natural, libertações acidentais e ameaças biológicas deliberadas — continuam a ser sub-financiados, apesar do seu papel essencial na gestão de riscos transfronteiriços, incluindo doenças emergentes e ameaças biológicas.

O relatório refere que a adaptação dos Serviços Veterinários de todos os países aos padrões internacionais custaria aproximadamente 2,3 mil milhões de dólares por ano, menos de 0,05% dos 3,6 triliões de dólares em perdas económicas atribuídas à COVID-19 em 2020, uma doença que provavelmente teve origem em animais, embora a sua origem exata e rota de transmissão para humanos ainda não tenham sido definitivamente estabelecidas.

75% das doenças infecciosas emergentes em humanos têm origem em animais, o que faz dos sistemas de saúde animal a primeira linha de defesa contra surtos, incluindo uma potencial pandemia futura. No entanto, o relatório indica que estes sistemas estão sob pressão: 18% dos países avaliados recentemente apresentam um declínio na sua capacidade veterinária e 22% uma diminuição na capacidade dos profissionais veterinários auxiliares.

Com base na avaliação realizada em 54 países e territórios pela OMSA, estima-se que seria necessário aumentar os orçamentos, em média, 52% para cobrir o custo anual real de serviços veterinários eficazes. A ferramenta Performance of Veterinary Services (PVS) da OMSA fornece aos países uma avaliação independente dos seus sistemas de saúde animal e um roteiro personalizado para melhorias. Um ponto positivo é que, após as recentes avaliações do PVS, mais de metade dos países participantes reportou um aumento dos recursos financeiros alocados a estes serviços.

O relatório insta os governos a aumentarem o financiamento para os sistemas de saúde animal e a integrá-los em estratégias mais amplas de saúde, economia e segurança; os parceiros de desenvolvimento a direccionar o financiamento para a prevenção a longo prazo, em vez da resposta a crises; e as instituições financeiras e o sector privado a reconhecerem a saúde animal como um investimento de elevado impacto.

6 de Julho de 2026/ OMSA.
https://rr-americas.woah.org/

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